The Resurrectionists

Para quem ainda não soube, a White Wolf abriu uma sub-linha de produtos para World of Darkness: histórias semi-prontas em formato exclusivamente eletrônico (e-books) para quem quiser ter um ponto de partida e começar uma crônica. A sub-linha foi batizada de Storytelling Adventure System, ou SAS.

A diferença destas histórias para aquelas geralmente publicadas nos Apêndices de certos livros (como os livros básicos e de cenário/cidades) é que estas são classificadas de acordo com níveis de desafio. Sim, eu sei que cheira a aventuras de D&D com suas recomendações do tipo “para personagens de nível 7 a 9″, mas a classificação aqui é mais livre: as cenas, e a história como um todo, recebem um “nível de dificuldade” de 1 a 5 (como os Atributos) e de acordo com o foco em habilidades Mentais, Sociais e Físicas. Também inclui uma estimativa de XP inicial para os personagens que participarem delas (por enquanto, todas as histórias publicadas prevêem personagens iniciantes, com zero a 34 xp extras ganhos desde o momento de criação).

Para quem quiser dar uma olhada, o SAS tem seu próprio site, e um guia sobre o SAS para download gratuito.

Cheguei a dar uma olhada na aventura para Requiem, chamada The Resurrectionists. A resenha completa deve aparecer em algum momento quando conseguir lê-la com calma, mas as impressões que tive do SAS foram as seguintes:

- A história parece ser não apenas voltada para personagens iniciantes, mas para Narradores iniciantes: a idéia da classificação de cenas soa apenas como uma forma de referência simples, sob medida para aqueles jogadores vindos de D&D e outros sistemas - normalmente com dificuldades de compreender que, neste cenário, um bom conflito/antagonista não se mede pelo número de ‘bolinhas’ que ele tem e que, por isso, não há “tabela de encontros por nível” (agh).

- A premissa geral de The Resurrectionists não é das mais criativas (o círculo de personagens deve ‘resgatar’ um ancião misterioso do torpor), mas a organização do material, sim. Todas as cenas têm classificação própria, o que serve de bom augúrio para saber o que esperar quando rodar aquela cena, de acordo com as capacidades dos personagens dos jogadores.

- Os ‘cartões’ de resumo de cada cena são um belo recurso de organização para o Narrador, e o documento inclui versões em branco para serem preenchidas à vontade.

- As cenas não são apresentadas de uma maneira estritamente linear. Isto é, o Narrador pode usá-las na ordem apresentada, ou como situações isoladas que acontecem de acordo com as ações dos jogadores, ou até mesmo descartar e rearranjar algumas.

- Não falta, como usual no novo World of Darkness, discussões sobre como encaixar a premissa da história às necessidades da sua crônica.

Enfim, parece uma idéia interessante, especialmente se ajudar a ‘converter’ de vez jogadores vindos de outros sistemas. Vamos ver como se saem as histórias voltadas para personagens mais experientes, e crônicas em andamento há mais tempo (quando, normalmente, estas já estão estabelecidas há tempo suficiente para “gerar” acontecimentos e tramas quase sozinhas - o que torna mais difícil incorporar uma história pré-pronta qualquer).