Junho de 2007


Crânio de Changeling: the LostOlha só: o desenvolvedor de Changeling, Ethan Skemp, iniciou um tópico chamado “Algum Brasileiro/Português aqui no fórum?” e seguiu com isto:

Se sim, mande-me uma mensagem privada. Eu gostaria de re-checar vocabulário com vocês, para que um livro futuro não tenha mau Português de Babelfish(*) nele.

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Feras (Parte 2)

As Feras consideram ter escolhido o caminho de volta mais difícil através da Hedge, por requerer delas que tragam de volta suas mentes tanto quanto suas almas. Para uma Fera retornar, ela tem que virar as costas à exuberante vida sensorial dos animais, e ela tem que recuperar o controle. Ela tem que pensar, nem que seja apenas por tempo suficiente para cavar, mastigar e serpentear através da barreira espinhosa e conseguir voltar ao reino dos humanos. (more…)

The Blood: Requiem Player's GuideEm The Blood, fãs de Vampire: the Requiem notaram um trecho no mínimo estranho na página 74:

Entretanto, quando um vampiro percebe que está em conflito com uma outra criatura sobrenatural, há uma boa razão para usar as presas como arma: elas inflingem dano agravado.

Como o livro supostamente dá uma olhada mais profunda sobre os aspectos da existência vampírica, houve quem visse isto como uma atualização do uso das presas - que em Requiem, ao contrário do que acontecia antes, causam dano letal “apenas”.
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Monte Cook's World of Darkness

Culturas Sombrias

Juntos, vampiros, magos, lobisomens, demônios, e mesmo os Despertos são conhecidos como Culturas Sombrias. Nós existimos em meio à humanidade, mas a maior parte da humanidade não está ciente de nós. Nós lutamos nossas batalhas nas sombras - tanto literalmente quanto figurativamente. As pessoas não percebem que os conflitos que determinam se eles vão viver ou morrer - se esta realidade sobreviverá ou será reduzida a escombros - aconteceram na noite passada, e irão se repetir na próxima.

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Beast

Feras (”Beasts”)

Uma história conta sobre um homem que, na parte final de uma longa jornada, se abriga de uma tempestade em um palácio vazio. Ao deixar o lugar, ele pega uma rosa de um dos jardins. O dono do palácio, um faerie na forma de uma terrível Fera, aparece e captura-o, e diz que ele deve morrer. O homem implora por sua vida, por ter uma filha que ama, e a fera exige que a filha venha e viva com ela. O homem concorda, embora ele não tenha intenção de mandar sua filha embora. Quando ele retorna à sua casa, ele descobre que sua filha morrera. Na verdade, a Fera tomou-a e deixou uma falsa filha para morrer em seu lugar. A Fera trata a garota bem, certamente, mas ela não pode deixá-la. Um dia, após perder todas as esperanças em escapar, ela concorda em se tornar a esposa da Fera. Não há cerimônia - apenas um consenso, um véu e uma noite de núpcias. E naquela noite de núpcias, ela dorme com ele - e se torna como ele, uma Fera, para sempre, suas memórias e pensamentos varridos na torrente de sensações, na tirania do agora.

As histórias de fadas costumam mostrar que o primeiro beijo de amor redime tudo. A Fera se torna um homem. O Sapo se torna um formoso príncipe. É mentira. Os changelings que se vêem como Feras sabem disso muito bem. Beijar a Fera é se submeter à sensualidade e ao instinto. Amar a Fera é se tornar como a Fera - longe da memória, do autocontrole e, por último, da consciência. O animal é amoral. O animal é incapaz do verdadeiro pensar.

É uma espada de dois gumes. O animal oferece espontaneidade, o prazer simples de viver perdido por muitos humanos. Cores são mais vivas, sons são mais ricos, odores e sabores são mais ricos, mais vivos.

Mage: the AwakeningDo LiveJournal da WW:

Ethan está transformando Winter Masques em um livro de verdade, real, e então reservando algum merecido tempo para recarregar suas baterias criativas. Ele também está fazendo coisas acontecerem com um livro chamado Banishers, para Mage.

Em tempo: Winter Masques será o segundo suplemento de Changeling: the Lost, para quem não viu um post de uns… dois meses trás, procure na categoria Changeling.

Changeling: the LostContinuando com as traduções apressadas (antes de sair para o jogo do São Paulo)…

Clareza (”Clarity”)

Changelings não são mais humanos. Eles foram infectados pela loucura peculiar que vem de Faerie, onde regras e memórias com lógica onírica correm no limite da alucinação. Quando ele finalmente acha o caminho para casa, para um mundo de certeza e concreto, ele carrega consigo uma faísca de Faerie que se rebela contra a ordem racional deste mundo. A vida de um changeling, então, é um conflito constante e sem fim entre a sanidade e a loucura, entre a verdade e o engano. O conceito de Moralidade, como aplicado aos mortais, é substituído pelo conceito de Clareza, representando a habilidade da personagem em distinguir a solidez do mundo mortal de Faerie e de reconciliar as duas metades díspares de sua própria natureza.

Clareza segue este equilíbrio delicado entre o mundo comum e os reinos enlouquecedores de Glamour. Um changeling com alta Clareza é capaz de distinguir facilmente os dois mundos, e pode até mesmo se tornar mais adepto em enxergar fenômenos sobrenaturais de outra maneira obscurecidos da visão. Em contraste, um changeling com baixa Clareza descobre que suas percepções se retorcem além do controle. Ele começa a ter problemas em distinguir os sonhos da realidade, e começa a misturar elementos dos dois mundos. Ele pode começar a perceber criatures estranhas da Hedge no mundo ordinário, ou fragmentos incongruentes da vida mundana em meio à confusão de Faerie. No início, estas percepções distorcidas são transitórias e relativamente inócuas, mas à medida que a Clareza diminui, elas interferem na sua vida mais e mais até que se torna impossível existir de forma sã em qualquer uma das realidades, e ele é reduzido a um mero simulacro de ser.

A qualquer momento em que um changeling age de maneira a ameçar sua Clareza, o turbilhão psíquico é chamado de um ponto potencial de quebra: suas ações ameaçaram desestabilizar o equilíbrio delicado de sua existência dual. Uma perda de Clareza geralmente desfaz a habilidade de um changeling de pensar em si mesmo em termos de sua identidade humana, assim como de sua nova existência como fae.

Capa de The Blood: Requiem Player's GuideNos fóruns de discussão por aí afora, alguns felizes possuidores do recém-lançado The Blood: Requiem Player’s Guide (US$ 24.99, 128 p.) já estão “resenhando” o conteúdo do livro.
O que chamou a atenção de todos até agora é que o livro praticamente não tem “crunch” - ou seja, sistemas novos (por “sistema”, entenda-se qualquer coisa que seu personagem pode “comprar” ou “adotar” durante o jogo ou que o Narrador possa usar como alternativa para determinadas situações - sejam Méritos, Disciplinas, regras para representar o Blush of Life ou o Predator’s Taint, ou até mesmo novos clãs, linhagens ou facções dentro das covenants).

A exceção cabe à mecânica sugerida para personagens Anciões que tentam resistir ao chamado eventual do torpor voluntário. Tirando isto, o livro inteiro é composto de ensaios e texto sobre como seu personagem se sente noite a noite como um vampiro. Do despertar no pôr-do-sol ao adormecer antes do sol nascer; do uso de Vitae ao Blush of Life; do vício em sangue ao Predator’s Taint; das Virtudes e dos Vícios à Humanidade; da luz do sol e do fogo à Morte Final; da deprivação à passagem do tempo; das Degenerações aos efeitos do torpor na mente de um vampiro; da Diablerie ao Frenesi, passando pelas Tradições… Tudo isso é expandido em detalhes além do livro básico, mas sem “crunch”, apenas em descrição.

Em uma seção posterior, temos uma “viagem” pela não-vida de um vampiro, passando pelos momentos-chaves comuns - como o trauma do Abraço, a primeira tentativa de se alimentar, a primeira vez que o vampiro sucumbe ao Predator’s Taint (e o quanto isso ressalta o distanciamento que ele sente da humanidade) e o processo no qual o vampiro finalmente passa a tolerar sua condição.

Para encerrar, o livro dá uma passada pelas 10 Disciplinas-base e como o vampiro se sente ao usá-las; esta seção inclui até mesmo exemplos de como a dependência de certos níveis pode levar a problemas sérios - por exemplo, usar Possession (Dominate •••••) demais pode levar a Narcisismo e Fixação, Spirit’s Touch (Auspex •••) em excesso pode tornar o vampiro um excêntrico que coleciona diversos objetos com diferentes ressonâncias e memórias, e assim por diante.

Como Narrador, não estou nem aí para a falta de “crunch” (ainda mais considerando que, em três anos de existência, Requiem já tem mais bloodlines do que o necessário e não faltam Méritos e sistemas extras em outros livros, os de covenant inclusos). Parece ser um livro ótimo para jogadores e Narradores preocupados em enriquecer a experiência de encarnar papéis, mais do que em realmente jogar (no sentido de se engajar em algo que continua sendo um jogo, não apenas no sentido de rolar dados).

Quando conseguir pôr as mãos no livro, conto mais.

(Agradecimentos a Libra, usuário do fórum Shadownessence, por contar mais sobre o livro.)

Dice Sets para jogos de novo WoDUma dica de compras para quem ainda não está sabendo…

Há um tempo, uma distribuidora brasileira, a PSI, tem “desovado” algum material de WoD (novo ou antigo) na loja online da Saraiva. Em sua maioria, são romances antigos de WoD e livros/jogos de RPGs menos conhecidos, mas de vez em quando aparece alguma coisa de nWoD.

Estes dias, os Dice Sets (conjuntos de dados) de Vampire: the Requiem, Werewolf: the Forsaken e Mage: the Awakening voltaram ao estoque - isto é, não estão disponíveis para importação e entrega em 7 semanas, e sim em estoque mesmo, com entrega em 2 dias úteis para São Paulo, capital (o tempo para outras cidades, obviamente, é um pouco maior).

O que interessa aqui é que, no passado, “disponível para entrega em 7 semanas” significava “não temos em estoque e vamos tentar pedir” - o que, na prática, sempre redundava em “não foi possível atender o seu pedido” e o estorno do valor. Estando em estoque, a coisa realmente chega. Esta semana, pedi os dados de Mage e Werewolf que ainda não tinha, e já chegaram. E o melhor: a preços convidativos, entre R$ 20 e R$ 22 + frete (e há a opção de mandar entregar em uma loja Saraiva de sua cidade, o que zera o custo de envio). Ainda por cima, você pode pagar com boleto bancário ou débito automático se for correntista de dois bancos brasileiros, enquanto na Amazon só com cartão de crédito internacional mesmo.

Chutando que enviar os dados para, digamos, Recife por Correio ao consumidor custe R$ 10 em frete, isso significa que os dados ainda saem mais baratos do que pedir na Amazon (com o agravante que, ao importar por lá, ainda se corre o risco de incidir imposto sobre o total). Sai de R$ 2 a R$ 3 por dado, ou seja, preço similar a um d10 comum. E, pra fechar a coisa toda, a Devir Distribuidora não importou estes dados e nem pretende fazê-lo, pelo que os atendentes de lá me contaram.

Para quem se interessar, aí vão os links:
Todos os produtos importados da PSI na Saraiva
Vampire: the Requiem Dice Set
Werewolf: the Forsaken Dice Set
Mage: the Awakening Dice Set

De novo, para quem não prestou atenção:
“Produto disponível para importação em 7 semanas” significa que não está em estoque. Não arrisque.
“Produto disponível para entrega em X dias” significa que está em estoque. Nesse pode ir.
Caso arrisque a importação, se a Saraiva não conseguir importar, você também pode pedir para que eles te avisem quando o produto estiver em estoque. Demora, mas pode acontecer. Foi assim que soube dos dados de Mage e Awakening em estoque, aliás.

Os de Mage são especialmente bonitos, os de Requiem são OK, e os de Werewolf poderiam ter um fundo melhor, mas todos têm uma grande vantagem sobre dados comuns para quem joga nWoD: eles “destacam” os números 8, 9 e 10 com uma cor diferente, para facilitar a contagem de sucessos no sistema Storytelling (onde, para quem ainda não sabe, a dificuldade é sempre 8, não muda como no antigo). Logo, não são apenas uma questão de estética e sim de praticidade na hora de jogar. Ainda assim, como toque de classe, os dados vêm com um saquinho de pano, personalizado com o logo do jogo.

Aproveitando o ensejo, isso me lembrou de um boato ventilado no caderno Dinheiro da Folha de São Paulo há algumas semanas: comenta-se no mercado financeiro que Americanas.com e Submarino estão pensando em uma fusão (ou a Americanas quer comprar o Submarino, algo assim) por causa da iminente vinda da Amazon pro Brasil, especulada para este ano.

Se for verdade, um dos maiores problemas dos fãs de WoD no Brasil - a dificuldade pra encontrar produtos importados, já que a maior parte não é traduzida e quando aparece nas prateleiras da Devir, chega bastante atrasada e cara - pode se resolver de vez. Mesmo quando o dólar estava a R$ 2,50, pedir livros na Amazon americana saía o mesmo preço (pedindo 1 ou 2 livros por vez) ou mais barato (pedindo 3 ou mais de uma vez) do que comprar nas lojas nacionais, sem precisar esperar meses pro livro aparecer nas prateleiras (quando aparece). Mas o usuário precisa do maldito cartão de crédito internacional e bons conhecimentos de inglês pra importar, o que dificulta.

Amazon no Brasil significa páginas em português; acesso a formas de pagamento mais simples e potencialmente seguras, como boleto bancário; e um preço final ao consumidor menor (o custo de envio EUA->Brasil barateia, já que a Amazon provavelmente terá estoques próprios no país). Some a isso o dólar a menos do que R$ 2 e teremos, facilmente, suplementos que hoje saem a R$ 79-89 nas lojas locais e a cerca de R$ 55-65 (contando envio e pedindo 3 ou mais livros de uma vez) na Amazon americana sendo vendidos na Amazon brasileira a, digamos, R$ 30-40 + frete dentro do país.

Tomara que aconteça logo.

Changeling: the Lost

Semblantes, parte 2

Semblantes não são realmente grupos sociais, de forma alguma. Um changeling pode receber sua face feérica do seu Guardião ou de quaisquer atividades ele foi escolhido para realizar, logo, qualquer similaridade entre dois Outros não se estende, necessariamente, ao seus comandados. Os mutáveis Nobres (nota do tradutor: no original, “Gentry”) podem ser reconhecidos apenas pelo que fazem, em vez do que são, e um Fae que foi um pequeno goblin irritante poderia hoje ser um poderoso rei das árvores ou um príncipe cruel e gracioso. Os changelings que eles aprisionaram em suas teias resistem categorização de maneira similar. A diferença existe no fato de que changelings descrevem uns aos outros de acordo com do quê escaparam.

Ao final das contas, os diferentes tipos de semblantes e kiths que os Perdidos reconhecem não são tanto grupos sociais quando abreviações descritivas, vagas e gerais para de que diferentes formas os changelings foram transformados por suas experiências. Os kiths que subdividem ainda mais os Perdidos que compartilham um semblante são apenas sub-categorias um pouco mais específicas, e mesmo estes não conseguem categorizar realmente a infinita diversidade dos fae.

Não é surpreendente que os changelings que compartilham semblantes similares sintam alguma afinidade entre si. O semblante representa o que um changeling passou, mas também quais são as forças de um changeling. Ele representa o que um changeling pode se tornar, para o bem ou para o mal. Uma pessoa pode ser destruída por uma experiência traumática… ou pode superá-la para se tornar uma pessoa cujos pontos fortes são definidos e aprovados pelo crivo do sofrimento, através da aceitação e do crescimento. Aceitar um semblante é aceitar a consequência do sofrimento e o prêmio da sobrevivência e fuga, a recompensa final de ter sido forte o suficiente para escapar e conseguir voltar ao mundo dos humanos. Aceitá-lo como parte do seu “eu” e usá-lo bem é trilhar o caminho da cura. Entendê-lo e torná-lo seu é começar a amadurecer de verdade.

Monte Cook's World of DarknessEste preview demorou um pouquinho por ser maior. E vamos às “classes de personagem” do McWoD…

Criaturas da Noite, Agentes do Inconnu

Os Agentes dos Inconnu - Quando os Inconnu introduziram a sua realidade dentro da nossa, mas a nossa se recusou a se esfacelar como deveria, os Inconnu usaram outro tática para tentar finalizar o trabalho. De alguma maneira, eles acessaram as almas de humanos mortos a partir de… algum lugar. Eles também atraíram espíritos alienígenas ao nosso mundo: espíritos selvagens e demoníacos. Estes espíritos possuíram seres humanos ou formaram corpos para si mesmos através de outras maneiras, logo tomando forma física para que pudessem trabalhar pela vontade dos Inconnu. Como mencionei antes, entretanto, nós humanos temos mentes - ou espírito, você poderia dizer - mais fortes do que os Inconnu reconheceram. Algumas destas criaturas que supostamente seriam seus agentes se viraram contra eles. Algumas até mesmo brandem seus poderes contra os Inconnu e seus servos, lutando com sua própria raça.

Três tipos de seres agora vagam pela Terra, se esgueirando pelas sombras e golpeando humanos e outros como eles mesmos. Um quarto tipo - um tipo especial de humano, eu imagino - também surgiu graças à Intrusão dos Inconnu.

• Os Inconnu conjuraram os espíritos de seres humanos mortos - mas não apenas quaisquer humanos mortos, e sim as almas de humanos maus. Estas almas vilãs então possuíram os corpos de humanos vivos modernos, e as duas almas se fundiram para formar uma criatura com um corpo, mas duas almas. Estas criaturas brandem grande poder sobrenatural, mas elas têm suas limitações - elas temem a luz do sol e sentem sede por sangue humano. Estes espíritos corruptos e há tempos mortos se regozijam na carne da qual sentiram saudade por muito tempo, mas ainda assim seguem voluntariamente a vontade dos seus mestres Desgarrados para não perder seus dons. Eles agem como espiões e sabotadores, sabotando os planos da humanidade, e como assassinos para matar aqueles com perseverança suficiente para resistir aos Inconnu.

Eles são vampiros.

• Os Inconnu conjuraram outros espíritos - espíritos que nunca andaram como humanos mas são selvagens e ferozes. Onde eles vagavam, não quero nem imaginar; eu conheço algumas pessoas que usam palavras como “Inferno” ou “O Poço”. Estes espíritos também possuíram humanos vivos, novamente transformando-os em seres de uma carne com dois espíritos. Eles podem andar como humanos se assim desejarem, mas sua força aterrorizante e habiliades vêm à tona quando seu lado bestial toma o controle de seus corpos. Pêlo brota em torno de suas peles, seus corpos se tornam enormes de tanto músculo, e suas faces se distorcem adiante para formar maxilares longos e capazes de triturar ossos: um semblante monstruoso de horror puro e impossível de amansar. Como os vampiros, eles servem os Inconnu, mas como matadores, destruidores e caçadores.

Eles são lobisomens.

• Ainda outras criaturas servem os Inconnu. Estes seres vêm de locais desconhecidos, e lendas sugerem que eles têm enganado e manipulado humanos por milênios. Eles não possuem corpos humanos para trabalhar pela vontade dos Inconnu; em vez disso, eles cobrem seus espíritos com algum material mundano para obter forma física. Embora pareçam humanos, eles certamente não o são - e quando seus corpos se retorcem e derretem para revelar suas verdadeiras formas, humanos fogem aos gritos. Ainda mais distantes da humanidade mesmo quando comparados com vampiros e lobisomens, estas criaturas monstruosas são tecidas com malícia e corrupção. Eles são os soldados dos Inconnu, não enviados para se infiltrar ou sabotar, mas para atacar a própria realidade e parti-la ao meio.

Eles são demônios.

• Desde que pessoas começaram a andar pela Terra, elas acreditavam poder acessar um poder místico. Eles tinham diferentes maneiras de obter este poder; a adoração de divindades, cantos e rituais complexos, a posse de objetos importantes, a consulta de obras escritas e símbolos especiais. Eles chamaram este poder de magia. A maioria dos que tentaram pôr as mãos em magia acabaram entediados e desapontados, embora alguns sentiram ter atingido o sucesso em algum nível. Seus pares logo desdenharam de seus “resultados”, chamando-os de truques baratos ou acaso. Entretanto, nós agora podemos ver que estas pessoas podem ter chamado para si algum poder, mas apenas uma fração do que é possível agora. Por milhares de anos, a magia têm gotejado em nosso mundo a partir de… algum lugar. Além. Quando os Inconny chegaram, estas gotas se tornaram uma torrente. Agora, charlatões mesquinhos descobriram que suas antigas fórmulas e trava-línguas e mentes forçosas causam efeitos diretos e imediatos - e outros aprendem este poder também. Eles pegam seus implementos místicos e, sim, conjuram magias para avançar seus objetivos. Alguns trabalham para os Inconnu, outros contra eles, e muitos têm seus próprios planos.

Eles são magos.

• Finalmente, eu considero que devo mencionar um outro grupo. Este grupo não trabalha para o Inconnu, e muitos membros se opõem a seus agentes diretamente. Estes são os seres humanos cujo espírito indomável impediu que nossa realidade se esfacelasse - e que a mantém intacta enquanto a Conflagração se espalha e vampiros se escondem nas ruas. Muitos não sabem o que são, mas aqueles que sabem aprendem a abraçar sua condição - e a buscar poder nas suas abilidades.
Eles são os Despertos.

Changeling: the Lost

Seemings

Sobreviver é carregar feridas. Traumas, sejam eles físicos ou psicológicos, podem ser curados. A dor que causam desaparece, mas eles vão sempre deixar algo para trás. Isto é verdadeiro para ferimentos físicos, e é verdadeiro para ferimentos psicológicos, também. Às vezes as feridas que carregamos nos desfiguram tanto literalmente quanto psicologicamente, mas sobrevivência implica recuperação. Como alguém já disse, o que não nos mata nos deixa mais estranhos, além de mais fortes, e as mudanças causadas a nós pelos traumas que sofremos deixam uma marca que é tanto um lembrete da dor quanto um símbolo de honra, a prova da sobrevivência, a habilidade de realmente entender o sofrimento de outrem.

Esta é a maneira na qual os Perdidos vêem seus semblantes [nota do tradutor: no original, “seeming”]. Eles encararam uma temporada de sofrimento como os brinquedos dos Fae, e sobreviveram. Eles escaparam. Acharam seu caminho de volta ao mundo dos humanos. Eles foram transformados pelo que passaram. Carregam seus semblantes como feridas. Semblantes são a marca permanente de um trauma terrível. Ao mesmo tempo, são uma medalha de honra. O changeling carrega seu semblante como o prêmio da liberdade, como se dissessem: eu saí dessa vivo. Eu abri meu caminho à força através da Hedge e as marcas me fizeram o que sou.

O semblante de um changeling é totalmente seu. Embora o semblante reflita, em alguns pontos, o Fae que roubou aquele changeling do mundo humano em primeiro lugar (e em alguns casos, as tarefas que o changeling recebeu de seu Guardião), esta é apenas parte da história. Um pai abusivo destila algo de sua própria personalide no seu filho desamparado, e mesmo que a criança supere o trauma do abuso, estas marcas permanecem. Mas cada sobrevivente reage ao seu trauma de uma maneira própria, única.

E assim também é com semblantes. O tempo passado pelo changeling em Faerie mudou sua própria essência. O semblante que ele carrega, as características feéricas que o fazem ser o que é agora, elas refletem aquilo. Mas ele ainda é ele. Mesmo quando transformado em algo diferente do ser humano, o changeling ainda é, de algumas maneiras, a mesma pessoa. Mais velha, mais sábia, sua própria essência transformada, com o primeiro passo já dado em direção ao crescimento e à cura, ela se torna algo que reflete o que ela enfrentou, mas que ainda assim é totalmente diferente.

Monte Cook's World of Darkness

A influência da Intrusão

Quando a Intrusão dos Inconnu falhou, a área em torno do ponto de sua Intrusão - uma singularidade de loucura - se tornou uma terra de ninguém em termos físicos e espirituais, agarrada ao horror da irrealidade. As leis da física se foram por lá, deixando tudo absolutamente imprevisível. Este local fica nas altas Grandes Planícies dos Estados Unidos, mais ou menos próximo do ponto central da América do Norte - na porção nordeste da Dakota do Sul, perto de uma cidade pequena, azarada e desafortunada chamada Watertown.

Digamos que você está bem distante do Ponto de Intrusão - digamos, Califórnia - e por algum motivo maluco você quer dar uma olhada na região. Não é uma boa idéia, mas, ei, a morte é sua.

Antes de mais nada, eu devo te avisar que os efeitos da Intrusão são sentidos através do mundo. Primariamente, estes efeitos são indiretos, advindos das criaturas possuídas e espíritos em forma física que circulam pelo mundo a pedido instintivo dos Inconnu. Entretanto, alguns efeitos são mais diretos. Quando a Intrusão ocorreu, uma oscilação de loucura física e metafísica pulsou a partir do ponto, como uma onda de choque que varreu o mundo em potência decrescente. Este pulso é chamado de Onda do Pesadelo, e, se você não tiver sorte, você pode sentir sua influência em qualquer lugar do mundo.

zzzzz *ronc* zzzzzzzzzzzzz *ronc*zzzzzzz…

Changeling: the Lost

Algumas Fontes e Inspirações

O material-fonte potencial para uma crônica de Changeling é nada menos do que um embaraço de riquezas. Cada conto de fadas tem uma idéia potencial para um token (”talismã”), kith ou penhora em algum lugar, e há uma quantidade incontável de volumes com contos de fadas para escolher.

Embora possa parecer algo incompatível listar livros ou filmes para crianças como fontes potenciais, muitos destes lidam com assuntos bastante adultos (como o medo da abdução). Vistas através das lentes ligeiramente esfumaçadas do Mundo das Trevas, estas histórias logo se tornam rica matér-prima para contos de Changeling.

Não-Ficção

Há uma quantidade enorme de trabalhos escolásticos sobre os mitos e folclore feéricos, excelentes para apontar paralelos subentendidos; são sempre úteis para explorar ao máximo a diversidade a partir de uns poucos arquétipos básicos. Para conseguir uma boa relação de idéias por página, é claro, é difícil achar algo melhor do que antologias e livros de arte.

Grimm’s Fairy Tales. Quanto mais completa a versão, melhor. Algumas compilações (como Grimm’s Grimmest) focam nos aspectos mais “feios” destes contos de fadas, que são frequentemente omitidos nas versões “para crianças”, mas nada é tão bom quanto a obra completa.

The Red Fairy Book, The Green Fairy Book etc., de Andrew Land. Uma boa compilação de contos de fadas que vai bem além do escopo dos Grimm.

Ficção

Os fae são assunto ridicularmente popular para fantasistas modernos. A lista a seguir apenas arranha a superfície, exibindo trabalhos que são excepcionalmente temáticos para Changeling: the Lost; uma lista compreensiva de obras que lidam com os fae está bem além da nossa pobre contagem de páginas.

Something Wicked this Way Comes, de Ray Bradbury. Um clássico Americano, com partes iguais de maravilha e horror. O Povo do Outono é particulamente notável como exemplo do quanto os arquétipos dos fae podem se travestir de armadilhas modernas.

Neverwhere, American Gods, Anansi Boys, Stardust e outras obras de Neil Gaiman. O autor frequentemente entra no tema de mundos escondidos que os mortais normalmente são incapazes de ver e os problemas que aparecem quando pessoas descobrem um caminho de um mundo para o outro.

Gormenghast e Titus Groan, por Mervyn Peake. As personagens altamente excêntricas e bizarras de Gormenghast, incluindo a própria personagem de Gormenghast, são excelentes modelos para cortes faerie tão complicadas quanto. A adaptação da BBC também é recomendada.

Poesia

O mundo dos fae é, por padrão, poético. “Goblin Market”, de Christina Rosetti; “The Stolen Child”, de William Butler Yeats, e o tradicional “Tam Lin” são clássicos do assunto em questão, mas pra ser honesto, quase qualquer bom poema pode sugerir um imaginário potente para uma idéia de história. Pegue uma coleção de poesia, leia um poema aleatório, e lá está a semente para um encontro com a Hedge ou gancho para história. “The Hollow Men”, de T.S. Eliot, pode servir de inspiração para uma trama do Scarecrow Ministry, por exemplo, enquanto Fleurs du Mal, de Baudelaire, é uma virtual litania de decadência apropriada para uma corte em suave declínio, onde o único pecado é o tédio. De Edgar Allan Poe aos sonetos de Shakespeare a “Dulce et Decorum Est”, de Wilfred Owen, as possibilidades são maiores do que qualquer crônica poderia jamais esgotar.

Filmes

Beleza Americana, dirigido por Sam Mendes. Uma notável fonte de material para o tema da beleza em locais estranhos (como os subúrbios), assim como sobre a questão do que acontece quando uma pessoa muda toda a sua vida.

Labirinto, dirigido por Jim Henson. Uma fábula clássica, com um rico e bem-cuidado imaginário de todas as coisas fae.

Mirrormask, dirigido por Dave McKean. Notável tanto pela luta para trocar vidas, quanto por um outro mundo particularmente surreal que mistura imaginário moderno e arcaico.

O Labirinto do Fauno, dirigido por Guillermo del Toro. Imaginário fae poderoso e uma trama genuinamente madura. Estimulante.

Monte Cook's World of DarknessMais previews, agora do McWoD. E parece que é “Inconnu” mesmo (como os do antigo WoD), não “Iconnu”.

Os Inconnu
Quando os Inconnu tentaram acessar a nossa realidade, o evento ficou conhecido como a Intrusão, e o local exato em que ocorreu, o Sítio da Intrusão. O evento Intrusão deveria ter rachado, metafisicamente, nosso mundo - alguns dos meus colegas dizem nosso universo inteiro - como um ovo, destruindo-o irreversivelmente. Mas não o fez. Em vez disso, a nossa realidade se provou inquebrantável, não devido à sua resiliência inerente, mas à força de vontade dos seres inteligentes que a habitavam. Em um nível puramente subconsciente, milhões de pessoas mantiveram o mundo intacto. Nós temos um nome para estas pessoas - eles são os Despertos, e ainda estamos tentando descobrir o que os faz especiais. Em alguns aspectos, eles parecem ser as pessoas mais humanas que a humanidade tem para oferecer. Um ano depois, temos bastante certeza de que eles detiveram a destruição do mundo graças à sua forte conexão ao mesmo - sua força inerente de personalidade e espírito foi forte demais para permitir a destruição da realidade. É importante notar que milhões de pessoas contribuíram para esta resistência inconsciente. “Milhões” soa um tanto demais, mas comparados aos seis ou sete bilhões de nós que existem, é uma gota de água na banheira. Isto demonstra que a maioria das pessoas não têm o necessário para combater, de forma subconsciente, seres incompreensíveis de reinos além do conhecimento humano. Apenas estes poucos seletos, menos do que 1% de toda a humanidade, servem como os pontos-chave que reforçam e protegem a realidade. Aqueles entre nós que sabem acreditam que os Despertos ainda servem a este propósito, e se os agentes dos Inconnu encontrarem e assassinarem estes milhões… o universo faz “puf!”.


Este preview me convenceu de duas coisas.
1. Não é possível - a idéia deve ser mesmo uma versão trash/filme B do WoD. Só pode ser.
2. Se estes trechos vêm diretamente do livro… Como esse tal de Monte Cook escreve mal! Não é mais uma questão de enfileirar clichês, mas de vícios de escrita básicos como repetição de termos ad infinitum e imagens completamente nada-a-ver com um cenário de horror, mesmo pós-apocalíptico e trash. Notem que, no geral, acabei “embelezando” o texto na tradução, mas imagens como a “gota de água na banheira” e “o universo faz puf!” (”pop goes the universe”) eu fiz questão de deixar no lugar - pra quem não manja de inglês sentir o drama.

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