(atenção: este post quebra um pouco a intenção deste blog, que é de noticiar mais do que qualquer outra coisa. Mas esta foi simplesmente irresistível. Acho que vou criar uma categoria só para este tipo de post).

Sempre fui um fã da idéia de que nada ou ninguém é intocável. Não como uma desculpa para fazer crítica pela polêmica apenas, mas porque a idéia nos relembra de que todos podem cometer erros, e adulação/adoração tende a embotar o julgamento - principalmente porque costuma gerar ódio irrestrito contra o “diferente”, contra o que não se conhece e o que não se conforma aos padrões estritamente pessoais conferidos pelo objeto de adoração.

E daí, alguém desencavou uma história antiga da qual eu nunca tinha ouvido falar: Sam Chupp, ex-freelancer para a White Wolf durante o antigo World of Darkness, já acusou Mark Rein (pontinho) Hagen de plágio em seu site.

O que não me espanta, em absoluto: toda a comoção em torno do nome de Rein Hagen só podia ser um exagero, mesmo considerando a importância dos jogos que ele criou para o mercado de RPG dos anos 90. Ao mesmo tempo, Sam Chupp não foi um colaborador qualquer; ele participou em vários jogos e edições diferentes. E pior, continuou participando após a acusação - que não por acaso bate com o “sumiço” discreto de Rein Hagen. Difícil acreditar na hipótese de que se tratou de uma armação elaborada por um “empregado descontente”, como quase sempre se alega nestes casos.

Posto isso não para difamar o nome de ninguém, mas para relembrar a lição básica: todos cometemos erros. Ninguém é santo, muito menos desenvolvedores de RPG. Considerando a quantidade de vezes em que ouvi alguém fazendo comentários do tipo “não era isso que Rein Hagen tinha imaginado”, ou pior, “cuspiram no legado de Rein Hagen!” como se fossem íntimos da sede da White Wolf, essa história tem ainda outro valor: não projete suas próprias opiniões como fatos, nem como algo que terceiros assinam embaixo simplesmente porque é o que você gostaria que acontecesse.

Que papo é esse? “Legado”? “Subversão”? “Cuspiram”? Gente, estamos falando de RPG, não da Bíblia ou do Corão. Não se esqueçam disso, por mais admiração que o trabalho cause.