Ter 14 Ago 2007
Iconoclastia gratuita faz bem pros ossos
Publicado por Fábio Sooner sob Fora deste Blog , Tópicos de Fóruns
(atenção: este post quebra um pouco a intenção deste blog, que é de noticiar mais do que qualquer outra coisa. Mas esta foi simplesmente irresistível. Acho que vou criar uma categoria só para este tipo de post).
Sempre fui um fã da idéia de que nada ou ninguém é intocável. Não como uma desculpa para fazer crítica pela polêmica apenas, mas porque a idéia nos relembra de que todos podem cometer erros, e adulação/adoração tende a embotar o julgamento - principalmente porque costuma gerar ódio irrestrito contra o “diferente”, contra o que não se conhece e o que não se conforma aos padrões estritamente pessoais conferidos pelo objeto de adoração.
E daí, alguém desencavou uma história antiga da qual eu nunca tinha ouvido falar: Sam Chupp, ex-freelancer para a White Wolf durante o antigo World of Darkness, já acusou Mark Rein (pontinho) Hagen de plágio em seu site.
O que não me espanta, em absoluto: toda a comoção em torno do nome de Rein Hagen só podia ser um exagero, mesmo considerando a importância dos jogos que ele criou para o mercado de RPG dos anos 90. Ao mesmo tempo, Sam Chupp não foi um colaborador qualquer; ele participou em vários jogos e edições diferentes. E pior, continuou participando após a acusação - que não por acaso bate com o “sumiço” discreto de Rein Hagen. Difícil acreditar na hipótese de que se tratou de uma armação elaborada por um “empregado descontente”, como quase sempre se alega nestes casos.
Posto isso não para difamar o nome de ninguém, mas para relembrar a lição básica: todos cometemos erros. Ninguém é santo, muito menos desenvolvedores de RPG. Considerando a quantidade de vezes em que ouvi alguém fazendo comentários do tipo “não era isso que Rein Hagen tinha imaginado”, ou pior, “cuspiram no legado de Rein Hagen!” como se fossem íntimos da sede da White Wolf, essa história tem ainda outro valor: não projete suas próprias opiniões como fatos, nem como algo que terceiros assinam embaixo simplesmente porque é o que você gostaria que acontecesse.
Que papo é esse? “Legado”? “Subversão”? “Cuspiram”? Gente, estamos falando de RPG, não da Bíblia ou do Corão. Não se esqueçam disso, por mais admiração que o trabalho cause.
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Agosto 15th, 2007 at 00:24
Pois é…
vou ler o link agora, mas de antemão, já digo que eu levo o RPG muito a sério, pq ele me traz bastante autoconhecimento, e encaro ele tb como uma arte. Isso toca um pouco a minha religiosidade, mas de forma nenhuma me leva a ver as instituições ou grupos ligados ao RPG como um “culto”, como gente de fora às vezes enxerga (não sei como), ou a “venerar” o RPG - eu só o uso não somente como um hobby, mas como uma maneira de, simultaneamente, me expressar e me conhecer.
Dada essa minha postura não-ortodoxa (nossa, estou prolixo hj), eu acho uma DESGRAÇA (agora baixei o nível do texto) as pessoas que, como o Fábio diz, enxergam o RPG como Bíblia ou Corão. Se essas obras não são pra serem vistas como estáticas, já que os próprios autores delas (pelo menos posso falar isso da Bíblia, que li) sobrepunham texto após texto, com atualizações (o que é o Novo Testamento se não uma atualização do que está no Antigo?) - ou seja, se as religiões não podem ficar estanques, nem os líderes religiosos podem ficar escondidos atrás de muros ilusórios de santidade (aff voltou a prolixidade), que dirá… RPGs e developers de RPG!!!
Agosto 15th, 2007 at 13:47
Notícia meio velha, mas, de alguma maneira, pertinente. Muitas das viuvinhas do Velho Mundo das Trevas costumam usar o nome do Hein Bolinha Hagen pra ter alguma “base” nos seus argumentos, e é impressionante ver como alguns passam pra irracionalidade depois que mostrei que o senhor bolinha não é tão “O cara” assim.
Agosto 15th, 2007 at 16:22
Cada jogo/cenário/universo/editora tem o seu ícone, o seu “messias”, por assim dizer. Sempre tem um cara que ganha mais nome/fama entre os outros autores/desenvolvedores, e boa parte dos jogadores passa a considerar o cara como o pilar central de tudo, como se tudo que ele faz fosse o mais perfeito naquele campo.
Na WW, era o Mark Rein-Hagen. Pra produtos D20, alguns consideram o Monte Cook. Da mesma forma que, se criticar algum trabalho do MRH perto de um fã “tradicionalista” de Vampire, ele vai te tocar os cachorros, experimentem criticar o Book of Vile Darkness, Ptolus, Arcana Unearthed (ou Evolved) ou alguma coisa desse gênero perto de um fã do MC pra ver o que acontece.
Pois é. Fundamentalismo é dose…
… e pensar que tem alguns que consideram o Marcelo Cassaro como um desses “ícones” aqui no Brasil… hehehehehe…
Agosto 16th, 2007 at 09:00
Cassaro tb gosta de fazer cópias.
Eu vi cópias descaradas no texto de uma graphic novel que ele fez dos Trapalhões, satirizando De Volta pra o Futuro. Ganhou prêmio e tudo… mas tinha piadas copiadas da revista MAD.
Do trio terrível eu prefiro os dois outros: o Trevisan é meio arrogante, mas vejo qualidade nos trabalhos dele; e o Saladino me pareceu bastante gente boa, pelo q vi na época da lista de Tormenta (só que se foi ele que ficou responsável pela matéria que eu e um outro mandamos pra ele, a pedido dele mesmo, ele não sabe prestar atenção nas coisas, meu nome saiu errado e a matéria saiu com erros).