Qua 5 Set 2007
Dica de Narração: como manter o “combustível” dos personagens algo intangível
Publicado por Fábio Sooner sob World of Darkness (Básico) , Vampire: the Requiem , Werewolf: the Forsaken , Mage: the Awakening , Promethean: the Created , Changeling: the Lost , Narração
Idéia postada no fórum Shadownessence. A idéia parece tão boa, e recebeu tantos elogios no fórum, que acho que vale a pena postar aqui.
Basicamente, jogadores (no caso, de Vampiro, mas se aplica a qualquer outro jogo em que as personagens tenham um “combustível” para poderes, seja ele Vitae, Mana, Essência ou o que for) têm o hábito de consultar as fichas de suas personagens antes de gastar pontos de sangue ou Willpower/Força de Vontade, certo?
Só que, na verdade, suas personagens não têm conhecimento real da ficha. Elas não sabem que estão com “5 pontos” de [o que for]; no máximo, um vampiro tem uma idéia de que está saciado, ou faminto, ou em algum estágio intermediário não-quantificável. O jogador pode saber, mas a personagem não.
E isso afeta decisões. Um jogador com 5 pontos de sangue na ficha sabe exatamente o que ele pode gastar em um combate ou situação, e pode planejar de acordo. A personagem teria bem menos certeza, e isso poderia indicar uma outra tomada de decisão lógica - para quê se arriscar?
Daí, um Narrador fez o seguinte: comprou um monte de contadores vermelhos - do tipo que se usa em cardgames, por exemplo - e alguns pequenos potes de remédios opacos. No início de cada jogo (ou sessão), ele sorteou quantos pontos de sangue cada personagem tinha, usando um d10. E distribuiu, para cada jogador, um pote com o sangue de cada um.
Notem: os potinhos eram opacos. Os jogadores não podiam abrir os potes; apenas balançá-los, para ter uma estimativa apenas se estavam com muito, pouco, ou algum sangue. Mais ou menos como suas próprias personagens poderiam estimar de acordo com a sua fome (ou ausência dela). Quando algum jogador decidia gastar um ponto de sangue, ele entregava o pote ao Narrador, que, sem mostrar o conteúdo, removia um contador.
E assim o jogo foi. Segundo o relato de um dos jogadores do grupo, isso tornou-os mais cautelosos, sem entrar em situações perigosas desnecessariamente só porque suas fichas indicavam que suas personagens teriam boas chances (isto é, sangue suficiente para ativar mais de uma Disciplina, por exemplo). Sem contar que ocorreram cenas em que os jogadores nem tinham notado o quão famintos estavam, e portanto, mais suscetíveis ao frenesi - o que faz sentido, já que a Fera [”the Beast”] é tudo, menos previsível, e jogadores não deveriam ter a chance de saber, olhando quanto sangue têm na ficha, qual a real chance de resistirem ao frenesi.
Taí a idéia para quem quiser “roubar”. Pessoalmente, na próxima vez que Narrar Vampiro, vou usar as fichas de sangue do jogo de tabuleiro Prince of the City. Só faltam os potinhos opacos…
Enviar por e-mail. Hits para esta publicação: 818.
Setembro 6th, 2007 at 00:26
Caramba, ótima idéia!
Eu nnunca tinha parado para pensar nisso. Pelo menos não tão a fundo. Vou ver se dou um jeito de aplicar aqui.
Valeu por dividir! ^^
Setembro 6th, 2007 at 07:56
putz… ótima ideia… isso realmente aumenta ainda mais a ansia por sangue… imagina o jogador sacudindo o pote e só ouvir uma pedrinha hehehe… e no jogo do Mortais? isso se aplicaria a o q?
Setembro 6th, 2007 at 08:35
Para mortais, poderia ser Força de Vontade… Mas depende muito das necessidades do jogo. O grupo para qual estou mestrando usa bastante Willpower para ganhar +3 de bônus em certas rolagens. Até então, não tem acontecido nada não-natural porque, por mais que usem, estamos jogando sequências de histórias curtas, onde considero que entre uma história e outra a vida das personagens volta ao “normal” e elas reganham todo o Willpower.
Mas de qualquer maneira, ter poucos pontos de Força de Vontade (por exemplo, a personagem tem 5 níveis e gasta 4 pontos, logo ficando com 1) significa que a pessoa está mentalmente exausta, e chegar a zero deixa a personagem meio letárgica. Este aspecto, de interpretação, poderia ser bem enfatizado usando os contadores e os potes opacos.
Setembro 6th, 2007 at 08:38
he, vou começar a jogar star wars… daí tem a historia de usar a força e poder ir para o dark side…
o mestre já declarou: eu controlo isso e vocês só terão uma vaga idéia de quem olha de fora, até que atole na lama
Setembro 6th, 2007 at 10:08
sim, mas a diferença é q o vitae é rolado no d10, a força de vontade naum… vc já tem uma base certa… ae o jogador vai saber a média q possui e poderá se basear nisso… Acho q com humanos fica mais complicado….
Setembro 6th, 2007 at 10:19
Não entendi o que tu quis dizer…
O Vitae é rolado no d10 se o Narrador quiser; ele também pode assumir que a história começa com todos os vampiros bem alimentados, ou seja, com sangue “cheio”.
A base é certa do mesmo jeito, só a fonte da base que muda - Blood Potency 1 significa até 10 de Vitae, assim como Willpower 5 (isto é, Resolve + Composure) significa até 5 pontos de Willpower.
Note que a idéia do “potinho” não é privar o jogador de algum conhecimento sobre o próprio corpo/mente. Não há problema nenhum no jogador saber que o pote está cheio ou vazio e, a partir daí, conseguir imaginar se está pela metade ou perto do fim ao gastar mais sangue/Willpower. A idéia é eliminar a noção de quantidade exata - a personagem sabe quando está mentalmente cansado (pouco Willpower) ou muito faminto (pouquíssimo sangue), ela só não sabe se esse “pouco” significa 1, 2 ou 3.
No caso do Willpower, acabei justamente de postar no tópico original que talvez seja ainda mais apropriado usar a técnica dos contadores para Willpower - porque uma personagem que gastou muito Willpower estaria mentalmente cansada, estressada, e este é um aspecto que se representa pouco durante um jogo (pelo menos os jogadores que conheço nunca o fazem). Com o pote, além de eliminar a “quantificação”, o jogador teria uma base - ao balançar o pote - para basear sua interpretação. Parece ter pouco? A personagem está menos disposta a fazer coisas, mesmo o que gosta. Parece ter muito? A personagem está mais pró-ativa, animada para fazer o que gosta.
Em Vampiro, essa dimensão não existe em relação ao sangue - apenas a fome se aguça ou se vai.
Setembro 6th, 2007 at 13:39
hum… naum sabia desse esquema de que o mestre decide (se bem q as regras são aceitas apenas se o grupo quiser..) por isso achei que ia ser diferentte…
Mas se utilizarmos desse modo, fica realmente interessante. Claro que aos poucos o jogador vai tendo mais conhecimento do que tem e quanto tem para gastar… mas ae vai do jogador interpretar melhor, e o mestre distribuir os pontos de exp. adequadamente…
Setembro 11th, 2007 at 09:30
ÓTIMA IDÉIA! ja ta “roubada”!! XD
Setembro 11th, 2007 at 10:50
Como são as fichas de sangue do jogo de tabuleiro Prince of the City?
Setembro 11th, 2007 at 14:11
São fichas de papelão reforçado - tipo o que se encontra em caixas de encomenda - com o desenho de uma manchinha de sangue e do tamanho de uma moeda de 5 ou 10 centavos.
Não devem fazer tanto barulho quanto contadores de vidro, mas dá pra brincar.
Setembro 19th, 2007 at 20:12
Isso pode ser usado tbm com os níveis de vitalidade(especialmente para humanos) assim manteria os jogadores ainda mais no escuro sobre as próprias chances num combate e se vc combinar todas as idéias os jogadores vão ter que jogar sentados em penicos, se é que vocês me entendem…
Outubro 30th, 2007 at 14:32
Pode-se usar também as fichas do jogo de tabuleiro war, e alguns frascos de remedio, aqueles marrons de vidro.
Usei e obtive sucesso.
Coloquei também +1 (máximo conforme sua geração) no d10 para cada ponto gasto em rebanho.
Segue ae as dicas para ajudar!