crânio de Vampire: the RequiemIdéia postada no fórum Shadownessence. A idéia parece tão boa, e recebeu tantos elogios no fórum, que acho que vale a pena postar aqui.

Basicamente, jogadores (no caso, de Vampiro, mas se aplica a qualquer outro jogo em que as personagens tenham um “combustível” para poderes, seja ele Vitae, Mana, Essência ou o que for) têm o hábito de consultar as fichas de suas personagens antes de gastar pontos de sangue ou Willpower/Força de Vontade, certo?

Só que, na verdade, suas personagens não têm conhecimento real da ficha. Elas não sabem que estão com “5 pontos” de [o que for]; no máximo, um vampiro tem uma idéia de que está saciado, ou faminto, ou em algum estágio intermediário não-quantificável. O jogador pode saber, mas a personagem não.

E isso afeta decisões. Um jogador com 5 pontos de sangue na ficha sabe exatamente o que ele pode gastar em um combate ou situação, e pode planejar de acordo. A personagem teria bem menos certeza, e isso poderia indicar uma outra tomada de decisão lógica - para quê se arriscar?

Daí, um Narrador fez o seguinte: comprou um monte de contadores vermelhos - do tipo que se usa em cardgames, por exemplo - e alguns pequenos potes de remédios opacos. No início de cada jogo (ou sessão), ele sorteou quantos pontos de sangue cada personagem tinha, usando um d10. E distribuiu, para cada jogador, um pote com o sangue de cada um.

Notem: os potinhos eram opacos. Os jogadores não podiam abrir os potes; apenas balançá-los, para ter uma estimativa apenas se estavam com muito, pouco, ou algum sangue. Mais ou menos como suas próprias personagens poderiam estimar de acordo com a sua fome (ou ausência dela). Quando algum jogador decidia gastar um ponto de sangue, ele entregava o pote ao Narrador, que, sem mostrar o conteúdo, removia um contador.

E assim o jogo foi. Segundo o relato de um dos jogadores do grupo, isso tornou-os mais cautelosos, sem entrar em situações perigosas desnecessariamente só porque suas fichas indicavam que suas personagens teriam boas chances (isto é, sangue suficiente para ativar mais de uma Disciplina, por exemplo). Sem contar que ocorreram cenas em que os jogadores nem tinham notado o quão famintos estavam, e portanto, mais suscetíveis ao frenesi - o que faz sentido, já que a Fera [”the Beast”] é tudo, menos previsível, e jogadores não deveriam ter a chance de saber, olhando quanto sangue têm na ficha, qual a real chance de resistirem ao frenesi.

Taí a idéia para quem quiser “roubar”. Pessoalmente, na próxima vez que Narrar Vampiro, vou usar as fichas de sangue do jogo de tabuleiro Prince of the City. Só faltam os potinhos opacos…