crânio de Requiem[Nota estritamente pessoal: Esse é o tipo de notícia que não gosto de dar, por ser o tipo de notícia no qual os Trombeteadores do Apocalipse RPGístico costumam se esbaldar. Mas paciência. Que nunca se diga que há “clipping seletivo” de notícias neste blog.]

Quem leu a notícia de ontem pode ter se perguntado sobre o destino de Will Hindmarch, o desenvolvedor anterior de Vampire: the Requiem (ver lista de trabalhos, incompleta). Pois bem: ontem, após o anúncio dos novos desenvolvedores contratados, o próprio Will esclareceu parte da sua situação em seu blog pessoal. Ele não é mais empregado da White Wolf.

Não foi dito o motivo, nem se ele pediu demissão ou foi despedido. Will apenas admite estar procurando um trabalho fixo diário (”Day Job”) e por mais contratos e serviços como freelancer, além dos que já estão na fila.

Para quem acompanhou seu trabalho, pode-se imaginar as duas hipóteses, por motivos diferentes. Will Hindmarch se tornou desenvolvedor logo após os primeiros suplementos de Requiem (Coteries, Nomads, New Orleans, Lancea Sanctum entre outros), desenvolvidos por Justin Achilli e em alguns dos quais o próprio senhor Hindmarch colaborou. A despeito da qualidade destes suplementos, ainda havia muita coisa a se destrinchar na linha Vampire - e era preciso pôr a mão na massa logo, para reforçar as diferenças entre o novo Vampire e o antigo.

E foi o que aconteceu. Will Hindmarch capitaneou o que pode ser considerado, sem medo de exagero, uma revolução na linha Requiem. Sob sua batuta, os livros de covenant tomaram uma nova direção: o formato geral não mudou, mas a longa prosa por vezes redundante em Lancea Sanctum foi substituída por material de uso mais direto - fossem novos sistemas ou artigos sobre as facções, história e práticas - e os textos “in-character” (em primeira pessoa, do ponto de vista da personagem) voltaram a ganhar espaço. Recomendo comparar o livro dos seguidores de Longinus acima citado com, por exemplo, Ordo Dracul ou Circle of the Crone (só para ficarmos nas covenants de orientação mais filosófico-religiosa).

Também ganhamos jóias como Requiem Chronicler’s Guide e Mythologies, até então os suplementos mais ricos da linha, dando cor ao mundo de Requiem sem descaracterizá-lo - isto é, sem amarrar o cenário em uma “forma correta” de narrar Vampiro (muito pelo contrário) nem criar uma “grande verdade” mítica similar à lenda de Caim (e sim várias possibilidades bastante usáveis em crônicas diferentes). Como se isso fosse pouco, realizou um sonho bem antigo da base de fãs - Damnation City, ou a grande bíblia (400 páginas!) de opções e dicas para criar e gerenciar um domínio vampírico inteiro - e levou os vampiros até o Império Romano em A Requiem for Rome - bem na rabeira do sucesso da série da HBO, Roma.

Will também conduziu um processo inédito na WW - um livro inteiro, Bloodlines: the Chosen, com material selecionado entre textos enviados por fãs - e se posicionou (não textualmente, e sim na prática) de uma maneira surpreendente em certos momentos - por exemplo, evitando publicar descrições de Disciplinas de nível alto (6+), já que estas não fazem muito sentido no novo cenário, e planejando lançamento de “tratados antropógicos” sobre os clãs em formato capa mole (a sair a partir do ano que vem). Isso sem contar como Belial’s Brood tinha de tudo - de referências gnósticas a um novo “mito do primeiro vampiro” - menos o satanismo barato que muitos jogadores adoram macaquear.

Com todo o aplauso que já recebeu por seu trabalho, é difícil imaginar que tenha sido despedido por motivos “técnicos”, por assim dizer. Ao mesmo tempo, bom material nem sempre significa boas vendas [e é aqui que os Trombeteadores do Apocalipse RPGístico vão se agarrar]. Vampire é uma linha especial para a WW, que sempre segurou a onda de outras menos populares, em termos financeiros. Pode ser que se espere mais ainda. Pode ser que ele tenha considerado seu trabalho “terminado” (já que, com os livros de clã, todos os assuntos mais “básicos” da linha estão cobertos).

Provavelmente nunca iremos saber o que aconteceu, pelo menos não oficialmente - a não ser que alguém embebede um dos diretores da WW ou o próprio Will (o que, considerando o perfil médio do funcionário da WW, não é nem um pouco difícil ;-) ).