Ter 9 Out 2007
Will Hindmarch não mais trabalha na White Wolf
Publicado por Fábio Sooner sob Vampire: the Requiem , White Wolf
[Nota estritamente pessoal: Esse é o tipo de notícia que não gosto de dar, por ser o tipo de notícia no qual os Trombeteadores do Apocalipse RPGístico costumam se esbaldar. Mas paciência. Que nunca se diga que há “clipping seletivo” de notícias neste blog.]
Quem leu a notícia de ontem pode ter se perguntado sobre o destino de Will Hindmarch, o desenvolvedor anterior de Vampire: the Requiem (ver lista de trabalhos, incompleta). Pois bem: ontem, após o anúncio dos novos desenvolvedores contratados, o próprio Will esclareceu parte da sua situação em seu blog pessoal. Ele não é mais empregado da White Wolf.
Não foi dito o motivo, nem se ele pediu demissão ou foi despedido. Will apenas admite estar procurando um trabalho fixo diário (”Day Job”) e por mais contratos e serviços como freelancer, além dos que já estão na fila.
Para quem acompanhou seu trabalho, pode-se imaginar as duas hipóteses, por motivos diferentes. Will Hindmarch se tornou desenvolvedor logo após os primeiros suplementos de Requiem (Coteries, Nomads, New Orleans, Lancea Sanctum entre outros), desenvolvidos por Justin Achilli e em alguns dos quais o próprio senhor Hindmarch colaborou. A despeito da qualidade destes suplementos, ainda havia muita coisa a se destrinchar na linha Vampire - e era preciso pôr a mão na massa logo, para reforçar as diferenças entre o novo Vampire e o antigo.
E foi o que aconteceu. Will Hindmarch capitaneou o que pode ser considerado, sem medo de exagero, uma revolução na linha Requiem. Sob sua batuta, os livros de covenant tomaram uma nova direção: o formato geral não mudou, mas a longa prosa por vezes redundante em Lancea Sanctum foi substituída por material de uso mais direto - fossem novos sistemas ou artigos sobre as facções, história e práticas - e os textos “in-character” (em primeira pessoa, do ponto de vista da personagem) voltaram a ganhar espaço. Recomendo comparar o livro dos seguidores de Longinus acima citado com, por exemplo, Ordo Dracul ou Circle of the Crone (só para ficarmos nas covenants de orientação mais filosófico-religiosa).
Também ganhamos jóias como Requiem Chronicler’s Guide e Mythologies, até então os suplementos mais ricos da linha, dando cor ao mundo de Requiem sem descaracterizá-lo - isto é, sem amarrar o cenário em uma “forma correta” de narrar Vampiro (muito pelo contrário) nem criar uma “grande verdade” mítica similar à lenda de Caim (e sim várias possibilidades bastante usáveis em crônicas diferentes). Como se isso fosse pouco, realizou um sonho bem antigo da base de fãs - Damnation City, ou a grande bíblia (400 páginas!) de opções e dicas para criar e gerenciar um domínio vampírico inteiro - e levou os vampiros até o Império Romano em A Requiem for Rome - bem na rabeira do sucesso da série da HBO, Roma.
Will também conduziu um processo inédito na WW - um livro inteiro, Bloodlines: the Chosen, com material selecionado entre textos enviados por fãs - e se posicionou (não textualmente, e sim na prática) de uma maneira surpreendente em certos momentos - por exemplo, evitando publicar descrições de Disciplinas de nível alto (6+), já que estas não fazem muito sentido no novo cenário, e planejando lançamento de “tratados antropógicos” sobre os clãs em formato capa mole (a sair a partir do ano que vem). Isso sem contar como Belial’s Brood tinha de tudo - de referências gnósticas a um novo “mito do primeiro vampiro” - menos o satanismo barato que muitos jogadores adoram macaquear.
Com todo o aplauso que já recebeu por seu trabalho, é difícil imaginar que tenha sido despedido por motivos “técnicos”, por assim dizer. Ao mesmo tempo, bom material nem sempre significa boas vendas [e é aqui que os Trombeteadores do Apocalipse RPGístico vão se agarrar]. Vampire é uma linha especial para a WW, que sempre segurou a onda de outras menos populares, em termos financeiros. Pode ser que se espere mais ainda. Pode ser que ele tenha considerado seu trabalho “terminado” (já que, com os livros de clã, todos os assuntos mais “básicos” da linha estão cobertos).
Provavelmente nunca iremos saber o que aconteceu, pelo menos não oficialmente - a não ser que alguém embebede um dos diretores da WW ou o próprio Will (o que, considerando o perfil médio do funcionário da WW, não é nem um pouco difícil
).
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Outubro 10th, 2007 at 12:03
Meus Parabéns ao Will Hindmarch pelo ótimo trabalho que ele fez com toda a linha do Requiem!!!
Eu prefiro acreditar que ele tenha considerado seu trabalho “terminado” com a linha. É melhor parar quando se acha que deve do que ficar lançando vários livros pouco inspiradores, mal acabados e sem lógica (tipo o que aconteceu com a Máscara).
Por enquanto o Requiem está indo muito bem, graças ao trabalho do will, junto com o resto da equipe. Espero que com sua saída o nível da linha não desmorone colina à baixo.
Outubro 10th, 2007 at 13:53
Sabe qual é a minha maior preocupação?
(e daí este post ter saído um pouco maior do que esperava, na prática, porque certas coisas acabaram aparecendo nas entrelinhas?)
Não é a qualidade no geral cair, principalmente de texto (Joe Carriker fez a minha Legacy de Mage predileta, por exemplo - os Clavicularius).
Meu medo é a linha voltar pro “padrão de andamento” de linhas de RPG.
Explico: Quando Requiem começou, os primeiros suplementos, independente de qualidade, seguiam um padrão meio caótico. Basta apontar que o primeiríssimo suplemento a ser lançado era sobre… vampiros Nômades. Não sobre uma covenant, ou um clã, ou sobre como Narrar, ou um cenário pronto, ou expansão da política do jogo… Enfim, não era algo que expandia a base principal, e sim que oferecia um “modo de jogo” diferente do “padrão” estabelecido pelo livro básico.
Isso tinha um lado bom e um ruim. O bom era a ousadia (e eu ainda adoro aquele livro). O ruim é que podia alienar uma parte dos fãs, aqueles acostumados com a cantilena livro-básico -> livro do narrador -> livro do jogador -> livro “companion” -> livros das facções -> cenário pré-pronto -> acabou, vamos lançar uma nova edição.
(tudo bem que mesmo o Vampiro: A Máscara não se prestou totalmente a isso, mas os primeiros lançamentos pós-nova-edição sempre foram “suplementos básicos” como os citados acima).
O Will soube dar uma direção meio “terceira via”, nesse sentido. Não teve medo de pôr no mercado, assim que pôde, um “livro do narrador” (Chronicler’s Guide), um “companion” (Mythologies) e um “livro do jogador” (The Blood).
Ele sabia que o importante era como desenvolver estes livros para torná-los únicos, diferentes dos suplementos-padrão que emulam. Chronicler’s Guide é um “guia do narrador” que, basicamente, diz “o que se pode virar de cabeça pra baixo com o Requiem para satisfazer/surpreender seus jogadores”. Mythologies é um compêndio de mitos espalhados pelo mundo e por épocas, não apenas um “companion” no sentido tradicional (isto é, “info oficial e escrita em pedra que só o Narrador deveria saber mas os jogadores acabam lendo do mesmo jeito, o que estraga sua usabilidade”). The Blood é um “livro de jogador” no sentido “jogador, leia e pondere sobre a condição vampírica que irás interpretar”, não o usual “compêndio de Disciplinas, sistemas e táticas que você pode usar para se sobressair diante de seus companheiros jogadores”.
E, aí, me pergunto se é coincidência que Joe Carriker assuma agora, quando os livros de clãs estão na boca do forno, ou se foi algo pensado. Requiem é uma linha com muita experimentação já. Meu medo é que de 2008 em diante, vejamos muito mais livros “comuns” (mais City of the Damned: Lugar Tal, mais livros de Bloodlines, um Companion com “segredos de cenário”, essas coisas mais previsíveis). A qualidade do texto e o bom-senso de manter o cenário equilibrado… Esses fatores não creio que corram risco. O risco é tudo ficar mais… ordinário, no sentido de “comum”.
Outubro 10th, 2007 at 20:44
Quando eu falei em “nível” no post anterior foi mais ou menos sobre isso que eu estava falando (O risco é tudo ficar mais… ordinário, no sentido de “comum”).
Todos os livros do Requiem a que eu tive acesso são ótimos, e o The Blood é o único livro do jogador que eu conheço que não traz mais regras (novas disciplinas, novas bloodlines, etc…), mas sim, é somente texto puro. Foi uma grande sacada, e se alguém se der ao trabalho de ler este livro vai entender melhor o horror pessoal de vampiro, e não como ficar o “apelão” pra jogar hack´n´slash.
E eu adoro o New Orleans: Cit of the Dammed. É um livro excepcional, muito bem elaborado, e que me ajuda muito em minha crônica, que se passa nessa cidade.
O grande ponto foi que os livros do requiem não são “lugar comum”, cada um deles possui algo de único, e o meu ponto anterior sobre a queda do nível foi justamente sobre isso.
Outubro 12th, 2007 at 15:06
concordo com as opiniões anteriores… no entanto fiquei com uma dúvida, o que houve com o justim?
Outubro 13th, 2007 at 00:04
Ele foi promovido a chefe do departamento de Design e Desenvolvimento (ou algo assim - basicamente, liderava os desenvolvedores de cada linha) logo após o lançamento de Requiem. Foi aí que o Will passou a ser o desenvolvedor de Vampire.
Pouco depois, ele saiu para tentar a vida em outra área (qual área, eu nunca soube). Há coisa de um ano atrás, ele voltou pra WW, agora para trabalhar no desenvolvimento do MMORPG de World of Darkness. Nesse meio tempo, e ainda hoje, ele escreve ocasionalmente nos livros (a ficção de abertura de Changeling: the Lost, parte do conceito original de Promethean: the Created e algumas coisas nos livros de WoD básico são dele - e se não me engano, a idéia do Tales from 13th Precinct também partiu dele).
Novembro 6th, 2007 at 10:20
Interessante o comentário sobre o livro Belial´s Brood… realmente gostei das referências gnósticas que foram colocadas lá, derrubou um pouco meu medo de escamoteações, já que no livro básico é citado a frase Faz o que Quiseres Há de Ser Tudo da Lei (“Do as thou
wilt shall be the whole of the law.”), frase atribuída a Alesteir Crowley, e base de toda uma filosofia organizada por ele - e que não tem nada a ver com satanismo…
O sentimento foi o contrário de ter lido Second Sight, já que a frase é citada lá novamente, só que na entrada dos magos menores “Apostles of the Dark One”. Embora começando com uma citação do Livro da Lei, o material lá não tem nada a ver com quem segue a Lei de Thelema, chegando a citar o satanismo de LeVey… no máximo o que teria a ver seria o poder ritual básico dessa facção, Communion. Deprimente para quem começou a ler no capítulo uma exegese sobre respeito a crenças alheias, e depois se depara com uma embrulhada dessas.
Novembro 6th, 2007 at 16:59
Eu acabei de terminar o Belial’s Brood. Na época em que fiz o comentário, ainda faltavam alguns Investimentos e os personagens-exemplo no final do livro.
Estou até agora de queixo caído. Não entendo nada de Crawley ou outras filosofias/religiões/crenças que acabaram ganhando a pecha de “satanistas” sem merecer.
O que eu sei é qual tipo de “satanismo”, ou de postura de personagem em relação a ele, eu NÃO quero ver nas minhas crônicas por ser muito clichê ou cheirar a rebeldia inócua.
E o livro não só NÃO tem disso, como “trava” completamente quaisquer chances de tal tipo de personagem prosperar (a não ser, claro, que o Narrador modifique/ignore boa parte da filosofia interna da covenant e o contexto de sua existência).
Nota 10 em quase todos os quesitos. Surpresa total, em um livro que cheguei a “pular” por não querer mais mexer com infernalismo em Vampiro (era um dos fatores que trazia o pior approach possível em muitos jogadores com quem joguei há tempos) e acabei comprando só por medo que esgotasse (e eu queria ter coleção completa…)