Seg 4 Ago 2008
Prévia de Hunter: the Vigil, # 24: Malleus Maleficarum
Publicado por Fábio Sooner sob Hunter: the Vigil
Pelo visto, com a data de lançamento se aproximando (dia 14, ou quinta-feira da semana que vem), as prévias irão se focar nas facções/conspirações remanescentes. Agora é aguardar o Cheiron Group, o Lucifuge e os Ascending Ones… Enquanto hoje vemos mais sobre o Malleus Maleficarum.
Malleus Maleficarum
Prévia de Hunter: the Vigil, 04/08/2008Erros heréticos devem ser corrigidos. Quando tiverem sido desmentidos, a verdade ficará clara.
O conceito de Inquisidor, o caçador de bruxas católico da Idade Média, é potente: o homem de cara amarrada, com ferros quentes, açoites, instrumentos de tortura e correntes, que queima, estrangula e afoga tanto inocentes quantos culpados para descobrir a verdade. Deve ser fácil suspirar de alívio: estas coisas não acontecem mais, não é?
É claro que sim. Ainda há caçadores de bruxas, ainda empossados secretamente pela Igreja. A Inquisição tornou-se a um tanto mais benevolente Congregação pela Doutrina da Fé. Os caçadores de bruxas continuam, na forma do Malleus Maleficarum - o Martelo das Bruxas, a Congregação das Sombras.
No século XV, Heinrich Kramer e Jakob Sprenger publicaram um livro, um guia de caçada às bruxas, usando este mesmo nome. Seu Malleus Maleficarum provou-se influente o suficiente para causar a morte dolorosa de milhares. Após alguns poucos anos, o Papa o condenou como herético. Isso não impediu pessoas de usá-lo, mas ainda assim, parece um pouco estranho que, meros 80 anos depois, o Papa Paulo III tenha dado a um grupo com o mesmo nome do livro o poder de caçar as manifestações de Satã. Apesar de não ser um segredo, a fundação do Malleus Maleficarum não foi realmente pública, também, inserida que foi no final das mesma regimini militantis ecclesiae que empossou a Companhia de Jesus, uma organização totalmente diferente com sua própria reputação escabrosa.
Porque o Papa Paulo fundou uma organização baseada em um livro herético? Teorias conspiratórias abundam sobre praticamente qualquer evento maior, ou não tão maior, na história do Catolicismo, e esse caso não é exceção. Algumas teorias dizem que Paulo seguia algum plano privado; outros consideram que a organização foi fundada como fantoche para fazer alguma declaração de intenções, direcionada aos inimigos do Papa.
Parece bem aparente que coisas maiores estavam em jogo, mas possivelmente apenas três pessoas vivas hojes sabem que o verdadeiro fundador do Malleus Maleficarum foi um homem chamado Ambrogio Baudolino. Baudolino era excepcional em diversas áreas. Era esperto o suficiente para ter a atenção de Sua Santidade, apesar de não ser mais do que um bispo provincial. Era talentoso o bastante para convencer o Papa a organizar o Malleus Maleficarum e pensar que foi sua própria idéia. E mais do que tudo, ele sabia da existência de vampiros. De fato, ele tinha sido escravo de um vampiro por muitos anos e - mais uma evidência de sua personalidade extraordinária - conseguiu libertar-se e destruir a criatura que o havia controlado. O desejo mais ardente de Baudolina era de que ninguém tivesse que sofrer o que ele sofrera, nunca mais. Baudoline recebeu o controle silencioso da organização desde sua primeira noite. Ele forneceu informação suficiente aos recém-criados caçadores de bruxas para que eles encontrassem outro vampiro praticamente a cada vez que saíam.
Embora os vampiros tenham aprendido a se esconder quando vêem os caçadores de bruxas chegando, a guerra do Malleus Maleficarum continuou, e ainda continua, até os dias atuais. Originalmente, todos os membros da Congregação das Sombras eram monges e freiras, mas durante o século XX esta restrição foi relaxada à medida que monges se tornaram cada vez mais raros. Agora eles aceitam até mesmo membros seculares, e possuem contatos de alta patente em vários governos mundiais e forças policiais - o que significa que, mesmo sem que oa caçadores não tenham tecnicamente nenhuma jurisdição, com frequência oficiais de polícia e profissionais médicos são vistos auxiliando grupos de caçadores de bruxas do Malleus Maleficarum.
Ainda assim, os métodos não mudaram muito. Os caçadores de bruxas do Malleus vivem vidas duras e ascéticas, e devotam-se a reza e meditação. Não há, na verdade, nada mais na vida deles além da caçada, embora alguns façam questão de complementar seus fileiras com caçadores de outras organizações, particularmente se estes companheiros forem católicos.
De cara séria, eles se lançam contra os horrores do mundo, e usam os métodos mais cruéis que conhecem para derrotá-los. Se, de vez em quando, um inocente sofrer e morrer porque um caçador de bruxas está fazendo o seu trabalho, é lastimável, mas o bem maior deve ser atingido.
O Inimigo
Considerando as bases da fundação do Malleus Maleficarum, não é surpresa, certamente, que de todas as criaturas do reino sobrenatural, os caçadores concentrem-se em vampiros, antes de mais nada.
Seus conhecimentos sobre os mortos-vivos são profundos e extensos, mas há omissões significativas. Apesar do Malleus Maleficarum compreender que os vampiros têm algum tipo de sociedade, os detalhes não têm importância para eles, já que não ajuda realmente a destruí-los, exceto nos termos mais genéricos. É útil saber que uma facção é paternalista e tradicionalista, que outra é radical, que uma terceira adotou algum tipo de Cristianismo herético e que uma quarta venera Belial, mas isso é o que interessa. Eles sabem que crucifixos e água benta não funcionam normalmente, e que vampiros temem a luz do sol e o fogo.
Por outro lado, embora saibam que o sangue de um vampiro pode ser viciante e que beber o sangue de um vampiro faz com que o bebedor corra o risco de perder sua vontade para tal vampiro, eles não sabem que sob certas circunstâncias um homem que bebe do sangue de um vampiro pode se tornar imortal.
Baudolino sabia disso muito bem. Esse é o motivo pelo qual ele escondeu o fato de seus seguidores e o apagou dos registros. Seu segredo era - é - este: ele ainda está por aí. Ao envelhecer, o Padre Ambrogio começou a usar seus caçadores de bruxas para buscar sangue vampírico para si mesmo.
E então, ele permaneceu vivo, e ainda está vivo hoje, sem parecer ter um dia a mais do que 60 anos. Oficialmente, o Padre Ambrogio não comanda o Malleus Maleficarum: ele morreu em 1601, de acordo com os registros. Extra-oficialmente, Ambrogio Baudolino ainda controla os caçadores de bruxas, e tenta manter sua dose de sangue vampírico a cada poucos dias, a cada vez de um vampiro diferente, pouco antes que ele morra. Um punhado de membros da Congregação das Sombras sabem da existência de Baudolino; menos gente ainda sabe sobre os Lucífagos. Os poucos que sabem sobre os dois tentan não falar sobre os encontros que este antigo homem e igualmente antiga mulher têm em Milão, uma vez a cada década.
Depois dos vampiros, a coisa mais proxima de ser uma preocupação é o assunto da magia satânica: o Malleus Maleficarum possui um bestiário enorme, detalhado e até mesmo ocasionalmente preciso de demônios e diabos. Feiticeiros recebem um parte da atenção do Malleus Maleficarum. Os caçadores de bruxas não procuram, estritamente, por outros monstros, mas isso não significa que não os encontrem e tentem destruí-los quando os encontram.
Certamente, os poderes miraculosos que os caçadores de bruxas exibem funcionam contra qualquer um que eles achem por bem confrontar.
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Agosto 4th, 2008 at 12:47
Estava faltando a antiga inquisição, não falta mais.
Agosto 4th, 2008 at 16:15
caramba, pelos previews o novo Hunter vai ter que adaptar algum tipo de regra para a o Moralidade, ou vai ter muito caçador aí a beira do abismo e da loucura (talvez isso tenha sido intencional…), já que a maioria dos grupos é de caçadores cruéis e sanguinários (vide a Abadia de Ashwood… aquele lançe da pedra foi pesado e doentio)
(não que eu esteja reclamando, o mundo das trevas é um lugar cruel e doentio, e, acima de tudo, é um jogo maduro, para adultos, mas se deixar as redéas soltas a moralidade dos personagens vai entrar numa descendente e daqui a pouco o jogo vai ser “comer, caçar, dormir, comer…”)
Agosto 5th, 2008 at 08:32
Você sempre pode usar as variações de Dogs of War, recomendadas para personagens que vivem vidas muito violentas, como militares em guerra e membros de gangues e guerrilhas.
Mas já se sabe que é Moralidade normal e que a questão de ser “mais monstruoso que os monstros” é parte (obviamente) do tema do jogo. Isso considerado, duvido que tenha regras alternativas de Moralidade somente para levar matança em conta, porque não é necessário. Tu está considerando que caçadores desses acordos/conspirações irão necessariamente fazer o mesmo que os fundadores/membros NPCs mais imorais, e esses caras SÃO pessoas que fizeram por merecer Moralidades baixas. Duvido que esperar que os PCs façam algo no mesmo nível por padrão seja o caso. Veja como se saíram os personagens da crônica de playtest do Matt McFarland, todos da Ashwood Abbey - ninguém saiu estuprando changelings lá.
Essa lógica iria até contra o tema maior do jogo, “luz nas sombras”. A não ser no que concerne PCs slashers (nesse suplemento, aí sim pode aparecer alguma coisa).
No caso dos soldados e membros de gangue em Dogs of War, a coisa é diferente - ali, *se espera* que os personagens jogáveis farão coisas horríveis o tempo todo em nome da pátria ou da causa e a mando de alguém. Por isso os adendos à Moralidade (que, ainda assim, permanece intocada em sua essência - um soldado que estupra uma civil ainda rola normalmente, por exemplo).
Agosto 5th, 2008 at 08:39
Ah sim, além de tudo isso, os caçadores são mortais. Mortais podem recuperar Moralidade em jogo sem gastar XP, agindo de acordo com padrões mais altos do que a Moralidade atual deles sugeriria.
Aliás, esse papo de que “se deixar cair demais não conseguem fazer nada” não me convence, em nenhum dos jogos. Uma vez que o personagem atinge Moralidade 1 ou 2, somente os atos “mais perversos”, piores do que assassinato EM SÉRIE e destruição maciça de propriedade, pedem um teste de Moralidade. Com Narradores de bom senso, nenhum personagem de jogador cai a zero, a não ser que o jogador queira - porque ele tem que escolher conscientemente fazer coisas piores do que tacar fogo em uma escola primária. E uma vez que o personagem chega nessa patamar baixo (Moralidade 1 ou 2), há algumas desvantagens dependendo do jogo (interações sociais com humanos em Réquiem, conseguir fazer rituais em Lobisomem, confundir realidade e fantasia em Changeling), mas nada que torne o personagem completamente injogável a não ser que a história/crônica em si reforce as desvantagens - e, aí, o problema não foi a queda de Moralidade, e sim o descompasso entre tema da história/crônica e o conceito do personagem.
Ou seja, se um personagem fica inviável por causa de Moralidade, a culpa ou é do jogador, ou do Narrador, ou dos dois. Alguém está fazendo alguma coisa errada, seja na história ou na hora de conduzir as ações do personagem como imaginado. As regras em si não têm culpa nisso.