Qua 6 Ago 2008
O lançamento está chegando - faltam apenas 8 dias! E pelo visto, as prévias estão vindo com mais texto ainda, com facções inteiras descritas em um texto só. Aproveitem!
Lucífago [”The Lucifuge”]
As Crianças da Sétima Geração
Postado: 06/08/2008O inferno são os outros.
Deus pode ou não existir, mas o mundo exibe amplas evidências de que há um Satã, um grande Adversário, um impostor, um acusador. Desde que existe liberdade de escolha, como a Igreja conta, Satã tem plantado suas semente na humanidade. A maioria dos cristãos, judeus e muçulmanos o compreendem como uma metáfora. Os agentes de Lucífago sabem que há mais do que isso.
Todos os membros acreditam ser descendentes literais de Lúcifer ou de algum outro Duque do Inferno. O Portador da Luz e seus companheiros sempre se dispuseram a obter prazer com os mortais, e mais ou menos uma vez por século, o Diabo tem um filho ou filha. Eles são pessoas excepcionais, inclinadas a cometer grandes males - e a carregar uma grande culpa. Eles têm seus próprios filhos; as linhagens crescem e incham. Famílias mudam-se e casam entre si. A marca do diabo parece desaparecer após gerações. Mas a mácula de Lúcifer revive a cada sete gerações, quase sem falta. Uma mulher atinge a maturidade e descobre-se visitada por monstros. Um homem percebe ser capaz de recorrer ao fogo frio que dança em seus sonhos. Outro, visitado toda noite por súcubos que alimentam-se de seus desejos e perguntam-lhe seus segredos, descobre que as pessoas que o ferem, traem ou até mesmo o irritam sofrem acidentes terríveis, quer ele queira, quer não.
Alguns dos filhos de Lúcifer aceitam sua herança. Alguns não. E Lucífago existe para aqueles que preferem lutar contra sua natureza. O grupo começou na Milão do século IX: uma graciosa dama de porte nobre empregou uma cátedra de genealogistas e ocultistas para registrar e acompanhar as linhagens de Lúcifer por toda a Europa, procurando pelas Crianças da Sétima Geração, esperando-as nascer e acompanhando suas vidas até que despertassem para sua herança. Quando a hora chegava, os agentes desta dama faziam-lhes uma oferta: renuncie a Satã e seus ardis e lute contra as forças do Inferno. Se recusassem, os mensageiros os matavam, ou raptavam-nos e forçavam-nos a concordar com os desejos de sua dama.
A cabala de genealogistas ainda está por aí, assim como os mensageiros, embora hoje em dia todos sejam eles mesmos Filhos da Sétima Geração. Seu quartel-general ainda fica em Milão, e sua líder ainda é a mesma dama com feições de estátua, com a mesma aparência que tinha no ano 853. O único nome que ela reconhece é Lucífago. Ela é a organização, ela profere os comandos, ela traz cada nova Criança da Sétima Geração à sua presença e revela seus destinos: resistir ao Inferno e todas as suas ações, quer queiram ou não.
O Inimigo
A cátedra de Milão confere genealogias e monitora as notícias ao redor do mundo. Eles emitem solicitações aos agentes de Lucífago para que investiguem eventos ou personagens estranhos, e por vezes pedem aos agentes para encontrar e recrutar (ou matar) uma nova criança de Lúcifer que tiver despertado recentemente para sua herança. Mas isso é até onde eles vão. Milão conta a cada agente quem são seus treze colegas mais próximos em termos geográficos, mas alguns destes podem estar a centenas ou milhares de quilômetros de distância - em especial no Oriente distante, onde Lucífago tem constantemente falhado em rastrear muitos dos descendentes de Lúcifer.
Representantes de Lucífago, talvez de modo nada surpreendente, têm uma abordagem bem mais liberal no que diz respeito a rastrear monstros do que algumas das outras organizações. No final das contas, Lúcifer é o seu real inimigo, e fica aparente a cada agente que, embora as criaturas das trevas sejam, como Lucífago disse, o trabalho de Satã, uma criatura de Satã não precisa ser má. Autoconhecimento associa-se com a relutância em pôr as mãos à obra usando poderes sobrenaturais que os agentes de Lucífago com frequência odeiam.
A maioria prefere descobrir mais sobre suas presas antes de destruí-las, dando aos monstros a chance de revelarem-se como inimigos do Diabo (e, portanto, protelar a destruição). Muitos revelam ser o contrário. Existem vampiros que alegam descendência de Belial. Alguns lobisomens são devotos de espíritos de vícios. Muitos magos negociam almas com demônios.
Os seguidores de Lucífgo possuem, de forma nada surpreendente, uma grande quantidade de informações sobre demônios e anjos. Eles são ambivalentes no que diz respeito a demônios. Eles os odeiam, mas ao mesmo tempo, muitos agentes possuem pequenos companheiros demoníacos que desprezam (e que por sua vez os odeiam), mas que nada podem fazer além de obedecer suas ordens. Por vezes, diabos os seguem como crianças apaixonadas por suas professoras, aceitando qualquer punição que os agentes de Lucífago infligem com um certo prazer perverso. Alguns agentes de Lucífago conseguem comandar diabos e demônios. Alguns conseguem baní-los. Alguns conseguem até mesmo conjurar demônios para que cumpram suas ordens.
Aos anjos eles temem. A biblioteca de Lucífago em Milão guarda vastos tomos categorizando e nomeando os mensageiros do Divino, incluindo desde os querubins e serafins até os enigmáticos e contraditórios qashmallim. De vez em quando, uma das Crianças do Diabo topa com um destes seres bizarros. Algumas delas são aniquiladas imediatamente. Outras são transformadas em coisas igualmente estranhas a seu próprio modo. Algumas são libertadas de sua herança infernal. E algumas aprendem segredos.
Eis o único inimigo que os agentes de Lucífago nunca deixam sobreviver: os outros descendentes de Lúcifer, aqueles que sabem exatamente o que são e estão perfeitamente felizes com isso, obrigado. Alguns deles conseguem fugir de Lucífago quando são abordados. Alguns nunca receberam a mensagem: os genealogistas de Lucífago não são infalíveis, e um bom punhado dos descendentes de Satã escorrem pelos seus dedos. Mas é terrivelmente curioso como aqueles que Lucífago não sabe da existência sempre parecem ser aqueles que acabam amando a escuridão e clamando-a para si. São sempre aqueles que acabam liderando cultos ou tornando-se diabolistas poderosos. Aqueles que sentem culpa, os que não querem ser os filhos do Diabo, acabam ao lado de Lucífago. Alguns dos eruditos de Lucífago murmuram que seria possível até imaginar que tudo foi planejado para ser desta maneira. Nenhum deles diz isso na sua frente.
Facções
O Lucífago não é organizado o suficiente para ter “facções” como as entendemos, na verdade. No que concerne estrutura, há somente o quartel-general em Milão e os agentes ao redor do mundo. Ainda assim, à medida que o tempo passa, membros se encontram e comunicam idéias, e algumas filosofias tornam-se populares.
A Recusa representa o maior número de agentes de Lucífago. São aqueles que acreditam, simplesmente, que o Diabo é a origem de todo mal, e que devem renunciar àquele mal para sempre. Eles observam os monstros e feticeiros que encontram para decidir se eles também lutam contra o que são. Aqueles que não estão comprometidos com o mal, eles deixam em paz. Aqueles que reconhecem como parte do mal eles destroem sem pensar duas vezes.
A Reconciliação acredita estar fazendo o trabalho do Diabo. Isso é, ao fazer o trabalho de Deus destruindo o mal, eles, as crianças de Lúcifer, estão dando a Lúcifer a oportunidade de se redimir, de ser readmitido no Paraíso; se Lúcifer tornar-se parte dos seguidores de Deus, eles dizem, o Inferno deixará de existir, e o pecado e a dor acabarão para sempre. A Queda do Homem será revertida. Esse, eles dizem, é o destino de Lucífago.
A Verdade conta com o menor número de agentes de Lucífago. Eles acreditam que a história contada a eles sobre quem são e o que devem fazer não é a história completa. Quem realmente é Lucífago, e porque ela quer que isso seja feito? Quais são seus objetivos? Como ela conseguiu viver por 1200 anos? Será ela a filha de Satã, sua consorte, ou Satã em pessoa? A Verdade compõe-se daqueles que ponderam. Eles combatem as forças do mal porque devem fazê-lo, mas o que realmente desejam é saber a verdade sobre sua própria organização e sua fundadora. Eles existem em segredo dentro das fileiras da agência - ou assim esperam.
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Agosto 7th, 2008 at 00:59
Nossa, eu achei A Verdade bem nada a ver. Podia ser bem mais explorada, mas uma facção minúscula que investiga a própria organização da qual faz parte me soa estranho.
Ah, e Fábio, quanto à tradução: tem dois termos que podem ser usados com significados melhores, na minha opinião. O sufixo -fago vem do grego “phagein”, comer, e achei meio sem sentido.
Primeiro: Lucifúgio. O nome vem do latim “lux”, luz + “fugio”, fugir: “[aquele que] foge com a luz”.
Segundo: Lucifugo. Também do latim, o “fugo” ali significa perseguir ou correr atrás, no sentido de expulsar.
Se bem que eu sempre invoco com essas coisinhas XD Mas é que Lucífago ficou estranho mesmo ^^
Ah, gostei do novo layout! Um abraço e valeu pelas traduções!
Agosto 7th, 2008 at 02:15
Muito bem bolado, eu sempre imaginei coisas desse tipo, e era por isso que gostava de jogar com os Redentores em Demônio: a Queda.
Agora, me vem uma vaga lembrança de uma certa Seventh Generation no antigo WoD… será que tem algo a ver? Acho q era algo em Nova York, ou coisa assim…
Agosto 7th, 2008 at 06:31
Bruno,
Na pressa, eu não me debrucei sob a etimologia da palavra. A base foi o demônio Lucifuge (procure no Wikipedia); a única versão que consegui achar pra seu nome era pro espanhol e usava Lucífago.
“Aquele que foge da luz”, segundo o Houaiss, é “Lucífugo”. Não usei porque não sabemos se Lucifuge tem essa acepção no inglês.
Não estava 100% satisfeito, mas não posso perder tempo demais buscando termos definitivos só para as prévias
Agosto 8th, 2008 at 00:27
eu já li o termo Lucifuge em alguns livros, e até … acho… no Clanbook Ventrue o nome aparece, há de se checar, chama-se algum grupo ou alguém de “filhos de Lucifuge”.
Quem sabe Lucífago esteja correto, aqueles que querem se redimir precisam “absorver/consumir” a luz para retornarem a ela?
Por outro lado pode ser viagem minha. Só pesquisando a fundo mesmo, e como Sooner disse, não tem como gastar tanto tempo com termos de prévias… mas uma pesquisa lateral, feita inclusive por quem olha o blog, sempre ajuda.
(e acho q até já ajudou no passado, se não me engano)
Agosto 9th, 2008 at 11:29
Se não me engano eu estava com sono quando postei isso acima, e havia me passado que Lucifuge é o nome de um espírito goético.
Especificamente, Lucifuge Rofocale, 1o. Ministro do Inferno, nas atribuições tradicionais da Goetia.
Considerando que no Witchfinder virá aquela Irmandadade de S. Jorge ou algo assim com evangelhos goéticos…. não me surpreende
A WW atualmente está com fixação em goetia e gnose, rsrs… será pq uma das traduções de goetia é “uivo”?